Paganismo tropical: as religiões pagãs no Brasil

A pouca produção no campo de estudos sobre as religiões pagãs no Brasil compromete bastante a tentativa de realizar uma análise minuciosa acerca do tema. São poucos os exemplos etnográficos e apenas um trabalho empenhado a reconstruir a trajetória de um desses movimentos religiosos no país (DUARTE, 2013). A busca por fontes, dessa forma, necessita do auxílio de meios alternativos, como, por exemplo, a internet. Diversos sites, blogs, fóruns e páginas criados e mantidos pelos próprios pagãos nos fornecem muitos elementos para a compreensão do cenário pagão brasileiro. Também é na comunidade virtual que os eventos, palestras, rituais e demais atividades são massivamente divulgados.

Antes de buscar as evidências que as expressões do Paganismo Contemporâneo apresentam sobre o seu desenvolvimento no país, cabe lembrar, como o fez Janluis Duarte (2013), da natureza descentralizada dessas religiões. Ou seja, não há como definir com precisão o exato momento em que essas práticas despontaram no Brasil, sendo possível que grupos e/ou adeptos individuais desenvolvessem práticas restritas a partir da publicação das primeiras leituras voltadas para o paganismo por aqui, durante a década de 1970 (DUARTE, 2013).

As origens do paganismo no Brasil remontam, assim como no contexto histórico global, ao Druidismo. Entre o final da década de 1970 e início de 1980, em Maceió/AL, Savus Septimus de Morosini foi responsável por fundar a primeira ordem druídica no país, sendo a representante brasileira do Colégio Druídico das Gálias.[1] Após a sua morte, em 1982, um movimento articulou-se em torno da formação do Colégio Druídico do Brasil, consolidada em 1986. Já na década de 1990, Cláudio “Crow” Quintino introduziu a Druidic Network, da British Druid Order, no Brasil. Esse movimento inicial do Druidismo moderno no Brasil é bastante influenciado pelo renascimento druídico, sendo que esses primeiros grupos possuíam um caráter mais propriamente de escolas filosóficas e/ou espirituais influenciadas pela visão romântica dos druidas. Ao final da década de 1990, os rumos do movimento passaram a mudar com o surgimento da Ordem Druídica do Brasil, fundada pelo norte-americano Robert Kaucher. A inspiração de Kaucher era o Reconstrucionismo Céltico que se desenvolvia nos EUA, mais centrado na prática religiosa do politeísmo céltico atestada pela historicidade e nos valores tribais.[2] A ODB foi extinta em 2002, quando Kaucher retornou a sua terra natal, mas influenciou bastante os seus “alunos”, e posteriormente novos grupos druídicos surgiram no país inspirados pela prática desta ordem.

Apesar de pouco expressivo em número de adeptos se comparado à Wicca, o Druidismo brasileiro merece destaque pelo fato de que há uma comunidade druídica no país, consolidada pela existência de grupos como Caer Ynis, Fine na Dairbre, Ramo de Carvalho, Caer Tabebuya, Caer Itaobi, Druidismo Nativo Ativista, Floresta de Manánnan, Brigaecoi, Ordem Wolonom, entre outros. O grupo de Reconstrucionismo Céltico Fine na Dairbre é vinculado à Ár nDraíocht Féin: A Druid Fellowship, reconhecida associação norte-americana dedicada ao Druidismo e à reconstrução de religiões étnicas indo-europeias.

A Wicca começou a se desenvolver no Brasil durante a década de 1990, com alguns autoiniciados que formaram covens. Os pioneiros, segundo Janluis Duarte (2013) foram Roberto Carvalho, Wagner Périco, Denise de Santi e Michaella Engel, que inicialmente reuniam-se em uma loja esotérica de São Paulo para estudos e troca de conhecimentos e informações.[3] A partir dos anos 2000, surgiram as primeiras “tradições”[4] wiccanas brasileiras, seguindo principalmente a vertente diânica da religião, propagada nos Estados Unidos. Essas tradições desempenham, desde então, papel fundamental na divulgação da Wicca no país, assim como na presença do Paganismo Contemporâneo no espaço público brasileiro. A Tradição Diânica do Brasil foi criada em 2001 por Mavesper Cy Ceridwen e Claudiney Prieto, tendo este último rompido com o grupo para fundar, em 2003, a Tradição Diânica Nemorensis. Outras tradições surgiram posteriormente, a saber: Tradição Serpente de Prata, fundada por Hazel Von Morrigham; Tradição Eleusiana, de Edu Scarfon; Chlann Ashling De Dannan, de Luanin Luetita e Tyrfang Hollydragon, e Tradição Caminho das Sombras, de Naelyan Wyvern, apenas para citar algumas. Alguns covens também se destacaram, ao longo dos anos 2000 e 2010, na atividade pública de divulgação da religião. O coven carioca Chuva Vernal, dirigido por Rafael “Trilhadovento” e Ana Marques, e o coven paulistano Semente Ancestral, de Lua Serena e Elfo Lunar, são dois exemplos.

Já a história do Heathenismo no país se apresenta de forma bastante nebulosa. A “Asatrú Vanatrú Forn Sed” supostamente teria sido o primeiro grupo heathen do país, criado por Octavio Augusto Okimoto Alves de Carvalho em 1999.[5] Outros pequenos grupos teriam surgido desde então, sobretudo a partir dos dissidentes do grupo de Octavio após a sua morte, em 2004. Recentemente, foi realizado na internet um mapeamento de heathens e kindreds em atividade no país.[6] Os resultados apontam para a existência de 23 grupos, além de diversos praticantes solitários. Alguns desses grupos são bastante ativos no meio público pagão brasileiro, principalmente na internet. O kindred Cães de Guerra, por exemplo, constantemente realiza mesas redondas online sobre temas de interesse dos adeptos do Heathenismo.

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Foto: grupo wiccano Círculo de Brigantia (Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/bairros/com-direito-caldeirao-grupo-com-mais-de-200-bruxos-promove-rituais-em-casa-na-tijuca-16480683)
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Foto: Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta (Fonte: https://www.facebook.com/Encontro-Brasileiro-de-Druidismo-e-Reconstrucionismo-Celta-525952100913819/?fref=ts)
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Foto: Convenção de Magos e Bruxas em Paranapiacaba (Fonte: http://ocaldeiraodosstreghe.blogspot.com.br/2015/10/tradicao-de-fadas-no-brasil.html)
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Foto: coven de Bruxaria “Semente Ancestral” (Fonte: https://www.facebook.com/sementeancestral/?fref=ts)

 

Além do Druidismo, da Wicca e do Heathenismo, há algumas outras vertentes do Paganismo Contemporâneo no país que merecem atenção. O Hellenismos é registrado através do Reconstrucionismo Helênico do Brasil (RHB), administrado por Alexandra Nikaios desde 2003.[7] O site não informa o número de grupos ou adeptos brasileiros, mas percebe-se um forte empenho dos membros do RHB em resgatar antigos conhecimentos e práticas dos povos gregos, através da tradução de textos devocionais, hinários e artigos.

O Neoxamanismo e a Espiritualidade Feminina também possuem expressividade. Há diversos neoxamãs que atuam em metrópoles brasileiras, e mesmo em localidades interioranas da Amazônia (conforme verificaram Faro, 2012 e Villacorta, 2011). Existem também escolas neoxamânicas, que oferecem uma espécie de formação holística, teórica e prática – esse é o caso da Paz Géia, dirigida pela neoxamã Carminha Levy, e do Instituto Neoxamanismo, fundado por Alecsandre Sanareh Melo. Existem também diversos círculos de mulheres espalhados por todas as regiões brasileiras, muitos dos quais possuem uma influência direta ou indireta da Wicca e do Neoxamanismo. A exemplo dessa inspiração encontram-se as práticas desenvolvidas pela escritora de livros sobre sagrado feminino Mirella Faur, considerada pioneira nesse tema no país. Faur começou a publicar seus livros nos anos 1990, mesma década em que facilitava grupos de estudo e vivências do sagrado feminino na Chácara Remanso, em Brasília/DF.[8]

No estado do Piauí, conhecido nacionalmente pelos seus sítios arqueológicos, um grupo busca reviver práticas religiosas de povos tradicionais, tendo criado um novo sistema pagão, o Piaganismo (ou Paganismo Piaga). A fonte para o surgimento desse sistema religioso foi, sobretudo, as pesquisas científicas desenvolvidas acerca dos nativos piauienses, bem como as informações que o folclore dispõe sobre a religiosidade dos povos indígenas brasileiros. Nesse sentido, o Piaganismo se aproxima bastante dos reconstrucionismos pagãos registrados na Europa, buscando uma raiz pagã genuinamente brasileira. Em uma palestra disponibilizada no Youtube, o líder do movimento, Rafael Nolêto, explica que o termo ‘piaga’ originalmente significa algo como xamã, líder espiritual ou sacerdote, e é registrado nas culturas antigas do Brasil.[9] A prática do Piaganismo, seus ritos e festividades, se dão em uma propriedade rural localizada no interior do Piauí, a Vila Pagã – uma espécie de comunidade pagã, com pessoas reunidas “em prol do desenvolvimento social e econômico da região, com o objetivo de preservar as tradições pagãs na atualidade”, de acordo com o seu site.[10]

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Foto: celebração do Paganismo Piaga (Fonte: https://www.facebook.com/PaganismoPiaga/)

Na verdade, a tentativa de criar um paganismo baseado no contexto nativo brasileiro, por assim dizer, é uma característica também encontrada em outras religiões. Alguns grupos wiccanos incorporam divindades que supostamente pertencem ao panteão indígena brasileiro ao seu culto, tais quais a deusa Cy (CORDOVIL, 2014). Alguns grupos de Druidismo atribuem bastante importância aos povos e saberes nativos do Brasil, como reverência à sua ancestralidade. Eles identificam na sua crença, baseada na mística céltica, os povos tradicionais do país e os espíritos da mata de suas crenças como um mesmo grupo pertencente à “família da terra” (tríade com a “família da alma” e a “família de sangue”), com base nas suas raízes territoriais e culturais.

Pode-se dizer que, de uma forma geral, o Paganismo Contemporâneo tem se desenvolvido mais expressivamente no Brasil desde meados da década de 1990. O papel da internet foi fundamental nesse processo. Inicialmente, através dos grupos de discussão e salas de bate-papo online com temáticas específicas, e posteriormente com o surgimento das redes sociais, muitos pagãos que praticavam sozinhos, além de estudantes e simpatizantes do paganismo, conheceram outras pessoas com os mesmos interesses e os grupos foram se formando. Já no período de consolidação das redes sociais, o espaço virtual passou a ser utilizado como meio de divulgação das religiões e dos eventos pagãos.

Um fato interessante é que, a despeito do caráter descentralizado das religiões pagãs, há no país algumas iniciativas de criação de entidades e instituições entre esses grupos. Essas instituições atuam principalmente no sentido de normatização e legitimação das religiões pagãs perante o Estado (TERZETTI FILHO, 2014). Trata-se da Igreja Brasileira de Wicca e Bruxaria (IBWB), da União Wicca do Brasil (UWB), do Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico (CBDRC) e da Associação Brasileira de Arte e Filosofia da Wicca (ABRAWICCA). Esta última foi a primeira a ser criada, em 2000, posteriormente vinculando-se aos membros da Tradição Diânica do Brasil. Ao longo dos anos, a ABRAWICCA atuou em vários estados através de coordenações regionais, tendo como objetivo realizar cursos, palestras e rituais públicos com vistas a desmistificar as práticas da Wicca, além de prestar apoio jurídico aos wiccanos vítimas de intolerância religiosa (DUARTE, 2013). Hoje a atuação da ABRAWICCA restringe-se a cinco capitais brasileiras, Brasília, Belém, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte (CORDOVIL, 2014).

A Igreja Brasileira de Wicca e Bruxaria (IBWB) foi criada pela mesma presidente da ABRAWICCA, Mavesper Cy Ceridwen, que convidou quatro outros líderes de tradições wiccanas para tomar a frente do projeto (são eles: Wagner Périco, Denise de Santi, Michaella Engel e Naelyan Wyvern). A IBWB visa auxiliar juridicamente de forma mais efetiva os adeptos da Wicca. Iniciativa semelhante à da União Wicca do Brasil (UWB), encabeçada por Og Sperle. Saindo do âmbito da Wicca, a única iniciativa registrada nesse sentido por parte de outro movimento religioso pagão contemporâneo é o Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico (CBDRC). Um texto de apresentação no site do projeto conta que

No final, no ano de 2010, por iniciativa de alguns visionários (notadamente José Paulo Gaesum, do Caer Ynis; e Marcílio Nemetios, dos Brigaecoi) surgiu a iniciativa de unirmos as diversas vertentes que trabalham de forma honesta e genuína pelo Druidismo e as demais manifestações espirituais célticas no Brasil. A ideia não foi (e não é) de unir a todos em uma crença ou administração comum, muito pelo contrário, cada grupo continuará com sua individualidade preservada; mas o objetivo é, sim, a criação de um Conselho que nos represente, nos proteja, e justamente assegure o nosso reconhecimento como parte do movimento druídico (ou reconstrucionista, ou de outra vertente reconhecida como praticando uma forma de espiritualidade céltica), mesmo enquanto nossa individualidade é preservada. Assim nasceu o Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico, voltado para os objetivos descritos, além de buscar a divulgação e reconhecimento de nossas tradições espirituais.[11]

Assim, a forma pela qual o fenômeno do Paganismo Contemporâneo se torna visível no espaço público brasileiro está bastante atrelada a essas iniciativas. Os líderes das entidades citadas atuam publicamente em prol do diálogo inter-religioso e da liberdade religiosa, realizando palestras e entrevistas, participando de mesas redondas e ocupando espaços políticos como a comissão para a Diversidade Religiosa, do Governo Federal. Além disso, essas associações realizam rituais públicos e demais atividades de cunho religioso, ocupando espaços urbanos como praças, parques e bosques, com a intenção de desmistificar as práticas pagãs perante a sociedade.

Os encontros e festivais pagãos também são um importante elemento promotor da visibilidade a essas religiões. Alguns deles objetivam ser uma “fuga temporária da realidade cotidiana para o mergulho numa ‘vida pagã’ por alguns dias” (DUARTE, 2013, p.138), como é o caso do Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta (EBDRC), do Encontro Anual de Bruxos (EAB) e do Bruxos Brasileiros em Brasília (BBB).[12] Nesses casos, os encontros se dão em sítios ou hotéis-fazenda, isto é, localidades afastadas da vida urbana e de amplo contato com a natureza, com duração geralmente de 3 a 5 dias. Nesse período, as pessoas ficam hospedadas no local (em quartos ou em acampamentos) e participam de atividades religiosas diversas, como vivências, celebrações e rituais, além de palestras e minicursos. O público desses encontros costuma oscilar entre 50 e 100 pessoas.

Outros encontros se dão em um formato mais semelhante aos congressos e simpósios científicos. Esse é o caso da Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa, do Encontro Cearense de Neopaganismo, Encontro Paraibano de Neopaganismo e Encontro Pernambucano de Neopaganismo. São eventos anuais mais centrados em palestras, mesas-redondas e minicursos, ou seja, com foco no conhecimento racional sobre as práticas pagãs, trazendo ocasionalmente alguma celebração ou ritual religioso e atividades artísticas.

A Convenção de Bruxas e Magos em Paranapiacaba é um evento bastante singular. Realizada anualmente desde 2004 em uma localidade do estado de São Paulo cuja arquitetura remete ao período colonial, a Convenção mescla elementos dos dois formatos citados anteriormente, tendo rituais, celebrações, palestras, minicursos, etc. A duração do evento é de 3 dias, e o público participante costuma ficar hospedado em hotéis na região. As diversas atividades realizadas são ministradas tanto por bruxos e wiccanos, como também por druidistas e até mesmo por adeptos do Heathenismo, além de terapeutas holísticos e esotéricos em geral. O evento possui uma orientação mais neoesotérica e da Nova Era do que propriamente pagã, ainda assim os elementos do paganismo são bastante visíveis, principalmente em uma dimensão imagética, fator que se deve aos participantes da Convenção – seus vestuários, inspirados em elfos, fadas e nas vestimentas do período medieval, costumam chamar a atenção da mídia, que frequentemente noticia o evento.

O Dia do Orgulho Pagão é celebrado em algumas capitais, mas a celebração realizada em São Paulo é a que possui maior visibilidade, sendo realizada desde 2002, inicialmente sob a coordenação de Claudiney Prieto e posteriormente organizado por Luanin Luetita e Tyrfang Hollydragon. O evento mescla palestras, minicursos e mesas redondas com rituais e vivências, e inclui também apresentações artísticas, combates medievais e feira pagã. Trata-se de um evento bastante singular, principalmente por reunir em um mesmo espaço adeptos de diferentes correntes do Paganismo Contemporâneo. Quer seja como facilitadores ou palestrantes, quer seja como público, wiccanos, druidistas, heathens, reconstrucionistas e outros fazem parte da celebração.

Já o Encontro Social Pagão possui o formato de roda de conversa e acontece mensalmente em diversas cidades brasileiras, sendo que cada mês um tema de interesse do paganismo entra em pauta. O evento foi idealizado por Hellenah Friggdóttir Leão, praticante do Heathenismo, em 2001, e no decorrer dos anos foi estabelecendo coordenações locais em todas as regiões brasileiras. O Encontro Social Pagão ocorre em praças ou parques e possui um caráter mais centrado na sociabilidade entre pessoas com visões de mundo semelhantes.

Cabe mencionar também as diversas feiras e encontros anuais com temática medieval, influenciadas esteticamente pelos antigos povos celtas e nórdicos. Apesar desses eventos possuírem um caráter mais cultural e lúdico, não sendo diretamente voltados para religiosos, são responsáveis por atrair diversos pagãos, entre adeptos e simpatizantes principalmente do Heathenismo, do Druidismo e do Reconstrucionismo Céltico. Em alguns casos, esses religiosos participam de forma mais ativa das feiras, ministrando palestras ou cursos de oráculos como ogham, runas e tarô. A grande maioria desses eventos se concentra nas regiões sudeste e sul do país. As feiras e encontros contam com atrações como batalhas e jogos medievais, além de apresentações musicais, sendo atividades também centradas na sociabilidade a partir de interesses compartilhados. Podemos listar alguns: Encontro Medieval (São Paulo/SP), Noite Pagã (Campinas/SP), Vieira Turaine War Party (Rio de Janeiro/RJ), Condado – A Festa dos Hobbits (Rio de Janeiro/RJ), Jantar Medieval da Ordo Draconis Belli (Socorro/SP), Kampfest (Porto Alegre/RS), Jantar Medieval Taberna Folk (Cosmópolis/SP), Festival Medieval (Brasília/DF), Folk Fair (Osasco/SP), Mundo Medieval (Mauá/SP), Oenach na Tailtiu (Magé/RJ), Banquete Medieval Schola Militum (São Paulo/SP), Festa Medieval da RD Arquearia (Curitiba/PR), Medieval SC (Florianópolis/SC), Mead Fest (Colombo/PR), Torneio Medieval Anno Domini (Nova Lima/MG), Medieval BH (Belo Horizonte/MG) e Feira Entre Mundos (Várzea Paulista/SP). Nesse circuito também se inserem os festivais de metal pagão Thorhammerfest e Odin’s Krieger Festival, ambos realizados em São Paulo/SP.

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Foto: Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta (Fonte: https://www.facebook.com/Encontro-Brasileiro-de-Druidismo-e-Reconstrucionismo-Celta-525952100913819/?fref=ts)
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Fonte: ritual do grupo de Reconstrucionismo Céltico Fine na Dairbre (Fonte: Google imagens).
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Foto: Convenção de Magos e Bruxas em Paranapiacaba (Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/fotos/entretenimento/2015/05/30/convencao-das-bruxas-em-paranapiacaba-na-grande-sp.htm?fotoNav=1)
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Foto: ritual wiccano exibido no programa “Retratos da Fé” (Fonte: http://www.ebc.com.br/institucional/sobre-a-ebc/noticias/2015/06/retratos-de-fe-apresenta-os-rituais-da-wicca-nesta-quinta-11)
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Foto: feira medieval Oenach na Tailtiu (Fonte: http://www.cenamedieval.com.br/2015/07/resenha-da-oenach-na-tailtiu-2015-o.html)

 

[1] O Colégio Druídico das Gálias é uma ordem francesa de druidismo espiritualista fundada em 1943 por Paul e Lucienne Bouchet que permanece ativa.

[2] Fonte: <http://www.ramodecarvalho.com.br/o-semear-os-tempos-da-ordem-druidica-do-brasil/>. Acesso em 23/05/2016.

[3] Duarte também cita Cláudio “Crow” Quintino, Patrícia Fox e Cláudia Hauy como pessoas que fizeram parte desse grupo. Posteriormente, essas pessoas se desinteressaram pela Wicca e migraram para outras vertentes pagãs ou esotéricas; por exemplo, Cláudio “Crow” Quintino foi para o Druidismo espiritualista e Patrícia Fox dedicou-se especificamente aos estudos do sagrado feminino, com ênfase em práticas da Nova Era.

[4] No ponto de vista da Wicca, “tradição” é geralmente um grupo de covens que se organiza em torno do mesmo conjunto de crenças e práticas. Janluis Duarte (2013) nota, entretanto, que no Brasil as fronteiras entre o que é “tradição” e o que é coven são bastante fluídas.

[5] A única fonte encontrada na internet a fazer tal afirmação é um texto escrito no blog de um adepto, disponível em: <http://heathenway.blogspot.com.br/2015/03/a-historia-do-ondinismo-no-brasil.html>. Acesso em 23/052016.

[6] O resultado desse mapeamento pode ser acessado através do seguinte link: <https://www.google.com/maps/d/u/0/viewer?oe=UTF8&msa=0&ie=UTF8&mid=1SEJANtj4D2SxYz8akZD7vBCYcmg>. Acesso em 23/05/2016.

[7] Fonte: <http://www.helenos.com.br/>. Acesso em 23/03/2016.

[8] Posteriormente, a chácara foi vendida para Mavesper Cy Ceridwen, que frequentava o círculo de mulheres encabeçado por Mirella Faur. Sob nova administração, o local tornou-se o “Templo da Deusa’’, espécie de wiccan village onde residem integrantes da tradição fundada por Mavesper, a TDB.

[9] Fonte: << https://www.youtube.com/watch?v=_1Sj1-YNE6o>>. Acesso em 23/05/2016.

[10] Fonte: << http://vilapaga.blogspot.com.br/p/a-vila.html>>. Acesso em 23/05/2016.

[11] Fonte: << https://cbdrc.wordpress.com/o-conselho/>>. Acesso em 23/052016.

[12] O Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta é um evento anual itinerante, realizado desde 2010. Desde então, o EBDRC já foi realizado em cidades como São Paulo, Recife, Curitiba e Belém. O Encontro Anual de Bruxos acontece todo ano desde 2001, inicialmente era realizado em auditórios da cidade de São Paulo, mas nos últimos anos mudou de formato e passou a acontecer em um sítio na localidade de Atibaia/SP. Já o Bruxos Brasileiros em Brasília também é anual e acontece desde 1999, sendo realizado na Chácara Templo da Deusa em Brasília/DF.

 

Texto escrito por Dannyel Castro
(não é permitida a reprodução deste texto, respeite os direitos autorais; a violação de direitos autorais é crime: Lei Federal n° 9.610, de 19.02.98)

Referências

CORDOVIL, Daniela. The Cult of Afro-Brazilian and Indigenous Gods in Brazilian Wicca: symbols and practices. The Pomegranate: The International Journal of Pagan Studies, v. 16, p. 239-252, 2014.

DUARTE, Janluis. Reinventando Tradições: representações e identidades da bruxaria neopagã no Brasil. Tese (Doutorado em História). UnB, Brasília, 2013.

FARO, Mayra Cristina S. A Cura que vem do fundo: um estudo sobre mulher e pajelança em Soure, Ilha do Marajó. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião). UEPA, Belém, 2012.

VILLACORTA, Gisela Macambira. Rosa Azul: uma xamã na metrópole da Amazônia. Tese (Doutorado em Sociologia e Antropologia). UFPA, Belém, 2011.

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5 comentários em “Paganismo tropical: as religiões pagãs no Brasil

  1. Primeiramente te parabenizo pelo texto e principalmente pela iniciativa. Nossa comunidade precisa conhecer sua própria história para fortalecer sua identidade e aprimorar seu senso comum.

    Permita-me apenas fazer pequenas correções na nota sobre o CDG. O Colégio Druídico das Gálias foi na verdade fundado em 1943 por Paul e Lucienne Bouchet e continua ativo até hoje. Philhéas Lebesgue não fundou este Colégio, mas sim o Colégio Bárdico das Gálias (CBG) em 1933 e foi o iniciador de Paul Bouchet. Já o Colégio Internacional de Estudos Celtodruídicos (CIDECD) é uma dissidência do CDG, fundado por René Bouchet após a morte de Paul, seu pai. Ou seja, atualmente CDG e CIDECD estão ativos e desenvolvem trabalhos independentes, enquanto o CBG de Lebésgue está “adormecido” desde a II Guerra Mundial.

    Cordialmente,
    José Paulo Almeida (Gaesum Bach)

    Curtido por 1 pessoa

  2. Parabéns pelo texto e pela iniciativa 😍😍
    Gostaria muito de saber a tem a posibilidade de expor nesses eventos? Se puder me ajudar passando algum contato e responsável por exposição de artesanatos relacionados a magia, paganismo e outros fico imensamente grata! 👐💖

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